Maio de 2020. Eu e minha esposa sentamos na mesa da cozinha com as contas abertas. Duas rendas boas, nenhuma dívida, e mesmo assim uma pergunta que a gente não sabia responder: a gente está fazendo certo?
Eu trabalhava com investimentos. Deveria saber. Mas o que eu sabia era responder isso pra cliente, com relatório, com reunião marcada. Pra mim mesmo eu não tinha ferramenta nenhuma. Tinha planilha, e planilha envelhece no dia seguinte.
O primeiro esboço
Comecei a montar uma coisa simples. Onde o dinheiro entra, onde sai, o que sobra, e o que aquele "sobra" vira daqui a cinco, dez, vinte anos. Não era bonito. Era uma tela com números e uma projeção.
O que mudou não foi o número. Foi a conversa. Pela primeira vez a gente olhava pro mesmo mapa. Discordar ficou mais fácil, decidir ficou mais rápido.
De nós dois pra 300 famílias
Mostrei pra minha família. Depois pra amigos. Todo mundo tinha a mesma pergunta e ninguém tinha o mapa. Cada pessoa que usava trazia uma dor nova: "e o financiamento?", "e se eu quiser parar de trabalhar aos 50?", "e a reserva?".
Cada dor virou uma tela. O esboço virou o Atlas. E o jeito de conduzir a conversa virou o método que eu uso hoje com mais de 300 famílias na assessoria.
O que eu aprendi construindo
Que a dor certa vale mais que a ideia genial. Eu não sentei pra "criar um app". Sentei pra responder uma pergunta que doía em mim. A ferramenta apareceu depois.
Desde então, toda vez que uma dor se repete três vezes na minha frente, eu já sei o que fazer com ela.
