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O que a pousada dos meus pais me ensinou sobre dinheiro

07/09/2026 · 4 min de leitura

O que a pousada dos meus pais me ensinou sobre dinheiro

Vinte e cinco anos de trabalho duro, zero planejamento. A conta chegou em 2020. Foi ali que eu entendi o que a falta de plano custa de verdade.

Cresci dentro de uma pousada no litoral de Santa Catarina. Meus pais acordavam antes dos hóspedes e dormiam depois deles. Vinte e cinco anos assim. Eu via o esforço todo dia, e por muito tempo achei que esforço era o suficiente.

Não era.

O que faltava não era trabalho

A pousada nunca teve um plano. Tinha temporada boa e temporada ruim, e a diferença entre as duas era o que sobrava no caixa. Quando sobrava, gastava. Quando faltava, apertava. Ninguém sentava pra perguntar: e daqui a dez anos? E se a temporada ruim vier duas vezes seguidas?

Em 2020 veio a pandemia, e com ela a resposta. A pousada fechou.

A lição que ficou

Eu já trabalhava no mercado financeiro naquela época. Sabia fazer conta, sabia falar de alocação, de risco, de horizonte. Mas foi vendo o negócio dos meus pais fechar que a teoria virou algo físico. Faltou plano. Não faltou esforço, não faltou honestidade, não faltou cliente. Faltou alguém olhar o todo e dizer: isso aqui não se sustenta assim.

Hoje, quando eu sento com uma família na Zephyr, é essa cena que eu tenho na cabeça. A pessoa pode ganhar muito bem. Pode ter patrimônio. E ainda assim estar repetindo a pousada em outra escala: ganhando, gastando, sem saber pra onde vai.

Por que eu conto isso

Porque o meu trabalho não é escolher fundo. É evitar que a conta chegue como chegou pra minha família. Plano não é planilha bonita. É saber, com antecedência, o que acontece se a temporada ruim vier duas vezes.

Se você tem um negócio, ou uma renda boa, e nunca fez essa pergunta, esse texto é o começo da conversa.

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