Toda semana aparece uma sugestão nova de funcionalidade. Cliente pede, amigo sugere, eu mesmo tenho ideia no banho. Se eu aceitasse todas, o Atlas teria 80 telas e ninguém usaria nenhuma.
Eu tenho um critério simples pra decidir o que entra: a funcionalidade tira trabalho das costas do usuário ou só decora a tela?
O teste
Pega a ideia e pergunta: se ela não existir, o usuário deixa de fazer algo importante? Se a resposta é "não, ele só deixa de ver um gráfico a mais", é enfeite. Se a resposta é "ele volta pra planilha", é essencial.
No Atlas, o relatório mensal escrito em linguagem de gente, explicando o que mudou no patrimônio do casal, é essencial. Sem ele, o Atlas seria uma planilha bonita. Um gráfico de pizza da carteira é enfeite: bonito na demo, esquecido no uso.
Onde eu procuro o que construir
Eu procuro a etapa em que o usuário mais desiste. Aquele ponto do fluxo em que a pessoa fecha a aba. Quase sempre é uma tarefa chata que exige escrever, resumir ou decidir. É ali que uma funcionalidade paga o próprio custo.
No Cria, o ponto de desistência era transformar a ideia bruta em roteiro. No Zephyr, era atualizar a projeção depois de cada mudança na carteira. Nos dois casos, a funcionalidade que resolveu isso é a que as pessoas mais usam.
O erro mais comum
Construir pra impressionar na demonstração. Painel cheio, animação, assistente que conversa. Isso vende na primeira reunião e some no uso diário. O que segura o usuário é o sistema entregando algo pronto que ele levaria uma hora pra fazer.
Constrói pra tirar trabalho, não pra parecer moderno.
