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Funcionalidade não é favor

20/07/2026 · 5 min de leitura

Funcionalidade não é favor

Todo sistema quer ter mais botão. O que segura o usuário é o que o sistema tira das costas dele, não o que coloca na tela.

Toda semana aparece uma sugestão nova de funcionalidade. Cliente pede, amigo sugere, eu mesmo tenho ideia no banho. Se eu aceitasse todas, o Atlas teria 80 telas e ninguém usaria nenhuma.

Eu tenho um critério simples pra decidir o que entra: a funcionalidade tira trabalho das costas do usuário ou só decora a tela?

O teste

Pega a ideia e pergunta: se ela não existir, o usuário deixa de fazer algo importante? Se a resposta é "não, ele só deixa de ver um gráfico a mais", é enfeite. Se a resposta é "ele volta pra planilha", é essencial.

No Atlas, o relatório mensal escrito em linguagem de gente, explicando o que mudou no patrimônio do casal, é essencial. Sem ele, o Atlas seria uma planilha bonita. Um gráfico de pizza da carteira é enfeite: bonito na demo, esquecido no uso.

Onde eu procuro o que construir

Eu procuro a etapa em que o usuário mais desiste. Aquele ponto do fluxo em que a pessoa fecha a aba. Quase sempre é uma tarefa chata que exige escrever, resumir ou decidir. É ali que uma funcionalidade paga o próprio custo.

No Cria, o ponto de desistência era transformar a ideia bruta em roteiro. No Zephyr, era atualizar a projeção depois de cada mudança na carteira. Nos dois casos, a funcionalidade que resolveu isso é a que as pessoas mais usam.

O erro mais comum

Construir pra impressionar na demonstração. Painel cheio, animação, assistente que conversa. Isso vende na primeira reunião e some no uso diário. O que segura o usuário é o sistema entregando algo pronto que ele levaria uma hora pra fazer.

Constrói pra tirar trabalho, não pra parecer moderno.

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